Dessau Bauhaus

Algumas vezes deixei escapar que havia me mudado para a Alemanha para estudar, então hoje decidir apresentar a vocês a maravilha que frequento todos os dias.

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Edificio da Bauhaus em Dessau

Fundada em 1919, após a primeira guerra mundial, por um grupo de arquitetos e artistas, dentre os quais se destaca Walter Gropius que a dirigiu até 1928, a escola alemã, foi a principal instituição de ensino de arquitetura e artes aplicadas, que procurou restabelecer o contato entre o mundo da arte e o mundo da produção.

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Sede em Weimar

Inicialmente localizada na cidade de Weimar, entre os anos de 1919 a 1925, na época em um prédio público, sem muitos atrativos estético-arquitetônicos, a faculdade foi transferida para a cidade de Dessau, mais a noroeste, ficando a duas horas de trem da capital alemã, Berlim, aonde permaneceu sediada até 1932.

Fundamentada sobre movimentos artísticos anteriores, como o Arts & Crafts, e nas Kunstgewerbeschule (escolas de arte industrial), a Bauhaus tinha como objetivo formar “artífices idealizadores de formas”. Surgida após o termino de um longo período monárquico no país, e após a Revolução Russa, a escola estava contextualizada em um período de experimentação artística muito forte, este período foi considerado por muitos um dos últimos grandes “atos” contra o regime do neoclassicismo. Apesar da proximidade com o construtivismo, a ideologia da Bauhaus, não se opunha de forma radical contra outros modelos conceituais artísticos, tampouco pretendia possuir um alinhamento político, apenas propondo uma insurreição das pequenas formas de arte até então colocadas em segundo plano.

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Os professores da escola. A partir da esquerda: Josef Alber, Hinnerk Scheper, Georg Muche, Lászlo Moholy-Nagy, Herbert Bayer, Joost Schimidt, Walter Groupius, Marcel Breuer, Vassily Kandinsky, Paul Klee, Lyonel Feininger, Gunta Stölzl e Oskar Schlemmer.

Tendo também como forte influencia na formação da identidade da escola, Paul Klee e Wassily Kandinsky, a escola promovia um trabalho artístico baseado no principio da cooperação. Tal fator, assim como a transgressão artístico-arquitetônica que a escola propunha, veio a influenciar no funcionamento da mesmo. Nesta época começou a se estabelecer no país o regime nazista, devido a pressões políticas, muitos professores se viram obrigados a sair da Alemanha, inclusive Gropius, que passou a direção da escola para o suíço Hannes Meyer, durante um biênio, e em seguida para Ludwig Mies Van Der Rohe, que permaneceu no cargo de 1930 a 1933, período aonde a escola foi transferida para Berlim, sendo finalmente fechada por este, devido à pressões do regime. Após a transferência da escola para a capital alemã, o prédio da Bauhaus em Dessau, teve seu uso alterado, se tornando uma escola para moças, e mais tarde em um centro de treinamento para oficiais militares nazistas. Alguns estudos de alterações estéticas foram feitos, tais como a colocação de altos telhados e a criação de anexos ao edifício que em vista aérea remetessem à suástica nazista, nenhum destes foi implantado de fato, Em 1945, o prédio sofreu com o bombardeamento de Dessau, a residência de Gropius, um dos edifícios habitacionais separados do corpo principal, foi completamente destruído. Com o fim da segunda guerra, a cidade ficou sob o domínio comunista da parte oriental da Alemanha. Relatos indicam que os comunistas também não viam o prédio com bons olhos, tendo quase o demolido, porém acabaram por deixá-lo abandonado. Após a queda do muro de Berlim, o prédio foi tombado como patrimônio da humanidade pela Unesco, sendo restaurado e funcionando agora como escola e museu.

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Vista Aérea Local

O local de implantação da Bauhaus era, na época, uma área isolada do restante da cidade, um ambiente ainda rural, a oeste do núcleo urbano central de Dessau, o que deu maior liberdade para a concepção do projeto desta, mais tarde com o crescimento da cidade, que avançou sua malha urbana neste sentido, passando pela linha de trem, a escola passou a se integrar com o ambiente urbana, de baixa densidade da região, voltado para o uso residencial e de comércio e serviço vicinal.

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A composição arquitetônica da escola alemã sediada em Dessau, procurava exprimir o programa de uma maneira não convencional para a época, ao invés de formas lineares ou dispersas, Gropius propôs um misto, aonde os blocos com diferentes funções (atelies, estudios, administração, habitação, salas de aulas tecnicas e uma área coletiva) fossem conexos uns aos outros. Outro ponto importante da composição, foi a fuga da fachada principal, na tentativa de romper com a tradição classicista, fachadista e simétrica, a forma do prédio fugia dos “cânones” arquitetônicos, a primeira vista é difícil identificar a porta de entrada do edifício, que não fica no ponto que parece mais evidente, mais sim na parte externa da planta em “l” do setor de ateliês, refeitório e habitação, voltada para a rua interna, criada com a elevação do bloco administrativo.

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O projeto da Bauhaus,foi setorizado em seis grandes setores:

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Detalhe do sistema de abertura das janelas basculantes

– Ateliês / Oficinas, locais de trabalho para os estudantes, dispondo de ferramentaria adequada para a confecção dos diversos trabalhos práticos propostos, local de desenvolvimento criativo das matérias projetuais, representando o maior volume do conjunto, foi criado assim devido às necessidades programáticas e também para se impor como o principal volume e fachadas do local. Com uma fachada de vidro o recobrindo, foi concebido de forma a trazer o máximo possível de claridade para dentro das áreas de trabalho, além de promover uma relação de permeabilidade visual do meio público para dentro da instituição

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Detalhe do palco com opção de abertura para o auditório e refeitório.

– Área coletiva: contando com refeitório e teatro, que poderia ser ligados a partir de uma parede móvel, esse local era um dos pontos principais do projeto. Assim como ficou evidente nas áreas de circulação propostas, um dos conceitos da faculdade era de criar constantemente encontros entre os estudantes, na Bauhaus o coletivo superava o privado;

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Acesso a escola / blocos administrativo e ateliers.

– Área administrativa, colocada na porção central do conjunto, de maneira pan-óptica, a ponte criada por este bloco liga a escola técnica ao restante do conjunto, além de permitir a passagem de transeuntes abaixo de si, trazendo o cidadão comum para “dentro” da instituição;

– Escola técnica, com salas menores voltadas para as matérias teóricas, esta, ao contrário dos ateliês, não apresenta fachadas, seu tratamento estético foi realizado de forma a que este volume não se destaca-se em relação aos outros;

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Bloco de habitação

– Habitação, sendo dividida em duas partes, a estudantil, anexa à área coletiva, com vinte e quatro dormitórios duplos dispostos em quatro andares, possui uma estética rítmica que lhe confere notoriedade. Já a habitação para o corpo docente, se encontrava separada do campus, há algumas quadras, para preservar a privacidade dos mesmos.

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Estudantes em frente a escola.