Pensamento Criativo

ImagePensamento criativo (ou criatividade em si) é facilmente identificado como uma das principais características de quem pretende desenvolver arquitetura ou ate mesmo outras coisas como arte, design e afins.

Porém, ao contrário do que pensa a maioria, criatividade não é um dom (apesar de algumas pessoas terem mais facilidade com ela do que outras), o pensamento criativo pode ser induzido e exercitado, mas para isso precisamos entender como tal pensamento se forma, que é exatamente o que estaremos explorando nesse post.

Buscando me aprofundar no assunto para melhor espressar a vocês, meus avulsos leitores, fui a pesquisa de algumas definições de criatividade e achei algumas realmente interessantes.

  •  “Processo de mudança, de desenvolvimento, de evolução na organização da vida subjetiva”. Ghiselin (1952).
  • “Manipulamos símbolos ou objetos externos para produzir um evento incomum para nós ou para nosso meio” Flieger (1978).
  • “o pensamento criativo tem duas características fundamentais: é autônomo e é dirigido para a produção de uma nova forma” (Suchman, 1981).
  • “criatividade é o processo que resulta em um produto novo, que é aceito como útil, e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em algum ponto no tempo” (Stein, 1974).
  • “criatividade é o processo de tornar-se sensível a problemas, deficiências, lacunas no conhecimento, desarmonia; identificar a dificuldade, buscar soluções, formulando hipóteses a respeito das deficiências; testar e retestar estas hipóteses; e, finalmente, comunicar os resultados” (Torrance, 1965).

As crianças tendem a ser mais criativas que os adultos, pois elas ainda não desenvolveram muitas das “barreiras sociais” que os adultos têm: ofender alguém, a ideia soar ridícula ou sem sentido, não satisfazer as expectativas, etc.

Outro fato que contribui para isso, é que os pais e adultos em volta da criança tendem a elogiar e incentivar quase qualquer coisa que a criança faça como se fosse algo totalmente inovador. Essa atitude dos pais na infância dos filhos contribui para que elas ajam de forma mais ousada durante a vida.

No mundo adulto geralmente o oposto acontece. Nós encontramos muitas críticas onde quer que passemos, estudemos ou trabalhemos, olhares que repreendem uma ideia, ou comentários de canto de boca que envergonham. Aos poucos, vamos retraindo a nós mesmos, e deixando de pensar de forma realmente criativa.

Outra coisa muito característica das crianças é a simplicidade do próprio pensamento, desapegado de qualquer regra. Quando entregamos a um adulto algum objeto que ele nunca viu, ela costuma pensar algo como “pra que isso serve?”. Este é um pensamento regido por uma vida de regras, num mundo funcionalista. Uma criança olharia para o novo objeto e pensaria algo como “o que eu posso fazer com isso?”, sem se importar com a função específica.

É importante lembrar que soluções complexas para problemas não são necessariamente criativos. Ao contrário, em sua maioria são soluções altamente lógicas. A criatividade é simples e direta. Ao se deparar com um problema ou possibilidade, imagine uma criança no seu lugar, com as ferramentas que você tem disponível. Como ela solucionaria o problema?

Romper as barreiras que nos impomos durante a vida é também de suma importância para ampliar o potencial criativo, mas é também a tarefa mais árdua. Existem diversas técnicas para esse fim, entre as quais a mais popular é o conhecido brainstorming, que para quem ainda não conhece, consiste grosseiramente em “jogar ideias ao ar” acerca de um tema e anotá-las… todas! Não existem ideias ruins durante a seção de brainstorming. Não existem represálias. Deve-se falar qualquer coisa que venha à mente. Pois até mesmo uma ideia que pareça completamente desconexa do tema, pode gerar novas ideias que serão muito boas para a solução do problema proposto.

Tendo então definido a criatividade vamos ao que interessa o PROCESSO CRIATIVO, muito usado por nós arquitetos, além de outras profissões, e que buscamos aperfeiçoar com o tempo e experiência. Durante o processo criativo, frequentemente distinguem-se os seguintes estágios, frequentemente você habituasse a esse ritmo durante a faculdade, mesmo assim acho importante inicia-los desse processo com um breve resumo:

  • Percepção do problema: É o primeiro passo no processo criativo e envolve o “sentir” do problema ou desafio. É a hora que analisamos tudo, terreno, localidade, insolação, ventilação, entorno…
  • Teorização do problema: Depois da observação do problema, o próximo passo é convertê-lo em um modelo teórico ou mental. Onde nossas analises são colocadas em forma organizada para enfim  fazer o programa de necessidade e assim passar ao próximo passo.
  • Considerar/ver a solução: Este passo caracteriza-se geralmente pelo súbito insight da solução; é o impacto do tipo “eureka!”. Muitos destes momentos surgem após o estudo exaustivo do problema, mas é possível que não aconteça. Neste momento sai vários brainstorns, várias horas sem dormir, pesquisas e tudo mais.
  • Produzir a solução: A última fase é converter a ideia mental em ideia prática. É considerada a parte mais difícil, no estilo “1% de inspiração e 99% de transpiração”. Aqui fazemos os croquis, esboços de plantas assim como o próprio projeto.
  • Produzir a solução em equipe: Fase comum que ocorre nas empresas e organizações quando precisam, tanto diagnosticar ou superar um problema quanto otimizar ou inovar produtos, serviços e processos. Também acontece correções e adaptações na relação cliente-profissional.

Todo ser humano é criativo, e o seu potencial pode e deve ser trabalhado, ainda mais em quem aspira trabalhar com jogos. Ao contrário do que muita gente diz, as “fórmulas” da arquitetura não foram todas utilizadas, não são limitadas e nem estão esgotadas. É só questão de romper as barreiras sociais impostas e as do senso comum, e ousar. E cabe a nós mostrarmos isso para a sociedade!