Rubem Fonseca

 

Conheci seu trabalho na escola, segundo ou terceiro ano, pelo o livro “Feliz Ano Novo” gostei e deixei passar, mas foi pela “A Grande Arte” que comecei a pesquisar sobre ele e me apaixonar pelos seus livros. A experiência foi reveladora porque eu li “A Grande Arte” cedo. Antes de virar best-seller e antes de ser desdenhado em comparação com os contos anteriores de Rubem. Reli depois, segui lendo os anteriores de dele. Depois “A Grande Arte” virou filme, Mandrake virou personagem de seriado de TV e de outras histórias. Caindo assim na boca do povo.

 

As suas obras retratam, num estilo seco e direto, a sordidez e violência urbana. Os seus livros estão povoados de criminosos, assassinos, prostitutas, polícias e todo o tipo de personagens marginais envolvidos em situações de grande violência. A sua linguagem é extremamente concisa e cinematográfica, recorrendo frequentemente a formas de oralidade. Alguns dos seus contos e romances têm o mesmo protagonista, o advogado Mandrake, um homem mulherengo, cínico e amoral e profundo conhecedor do mundo do crime do Rio de Janeiro

 

Mineiro, essa raça boa demais da conta, sô! De Juiz de Fora, Rubem Fonseca nasceu em 11 de maio de 1925. Formado em no Rio de Janeiro, onde, por alguns anos, exerceu o cargo de Inspetor de Polícia, função pública da qual se exonerou para dedicar-se à literatura. E que exerceu muita influencia nas suas obras. Como contista e romancista teve sua obra publicada em vários países, em muitos deles, como ocorreu no Brasil, recebeu inúmeros prêmios literários, como reconhecimento de sua obra, tanto pelo público como pela crítica especializada.

Sua extensa obra literária, nos gêneros conto e romance, recebeu, dentre os muitos prêmios referidos acima, para citar apenas alguns deles: Pen Club do Brasil (A coleira do cão); Câmara do Livro de São Paulo (A coleira do cão); Associação Paulista de Críticos de Arte (O cobrador); Prêmio Goethe (A grande arte); Prêmio Giuseppe Acerbi, Mantova, Itália (Vaste emozione e pensie imperfeti); Jabuti (O buraco na parede – conto);Prêmio Machado de Assis, Biblioteca Nacional (E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto); Prêmio Eça de Queiroz da União Brasileira de Escritores (A confraria dos Espadas– conto); Prêmio de melhor romance do ano, da Associação Paulista de Críticos de Arte (O doente Molière); Prêmio Luis de Camões, Brasil/Portugal, pelo conjunto da obra, em 2003; 14º Prêmio de Literatura Latino-americana e Caribe Juan Rulfo, México, em 2003.

Rubem Fonseca também foi premiado como roteirista de cinema pelos roteiros dos filmes:Relatório de um homem casado, dirigido por Flávio Tambelini (prêmio Coruja de Ouro); Stelinha, dirigido por Miguel Faria (prêmio Kikito do Festival de Cinema de Gramado); A grande arte, dirigido por Walter Salles Jr. (prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte).

Os livros de conto de Rubem Fonseca são: Os prisioneiros (1963), A coleira do cão (1965) Lúcia McCartney (1967) Feliz Ano Novo (1975), O cobrador (1979), Romance negro e outras histórias(1992), O Buraco na parede (1995), Histórias de Amor (1997), Confraria dos Espadas (1998),Secreções, excreções e desatinos (2001), Pequenas criaturas (2002), Diário de um Fescenino(2003), 64 Contos de Rubem Fonseca (2004). No gênero romance Rubem Fonseca publicou: O caso Morel (1973), A grande arte (1983), Bufo & Spallanzani (1986), Vastas emoções e pensamentos imperfeitos (1988), Agosto (1990), O selvagem da ópera (1994). Novela, Rubem Fonseca escreveu duas: Do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto (1997);O doente Molière (2000).

O professor de Literatura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Sergius Gonzaga, no seu livro Curso de Literatura Brasileira, Editora Leitura XXI, Porto Alegre, 2004, 1ª edição, noCapítulo Ficção Contemporânea II (1970 aos dias atuais), II Principais Autores, discorre sobre a obra de Rubem Fonseca, dizendo que começou sua carreira na década de 1960 com a publicação de dois livros de contos, e que somente na década de 1970 sua obra começou a ter repercussão. Diz, a seguir, que “Ao lado de Dalton Trevisan, ajudou a revolucionar a história curta no país”.

No subtítulo O que fica da obra, Sergius Gonzada afirma: “A novidade temática e formal da obra de Rubem Fonseca logo seduziu o leitor brasileiro e mesmo o do exterior. E com razão. Contos como A força humanaGazelaA coleira do cãoCorações solitáriosOnze de março e O buraco na parede são, entre outros, legítimas obras-primas. De seus romances, destacam-se O caso MorelA grande arte, que estão entre os títulos mais expressivos da ficção brasileira pós 1970. Outros, como AgostoVastas emoções e pensamentos imperfeitos e Bufo & Spallanzani, ainda que não sejam obras fundamentais, possibilitam uma leitura agradável. O estilo despojado, por vezes elíptico, os diálogos convincentes, o experimentalismo formal e o realismo com que Rubem Fonseca revela e interpreta a vida urbana brasileira forma logo imitados. É hoje o escritor que mais tem seguidores no país. A maioria destes, contudo, não possui a mesma inspiração, caindo na banalidade jornalística, na fotografia gratuita da violência ou em um vulgar gosto pela morbidez”.

 

Post dedicado ao meu primo Diogo.