Bala na agulha

Hoje me dou um luxo de falar de algo que gosto e que acreditava está a muito “desviciada” foi quando essa semana tudo voltou em uma intensidade que meu coração chega a bombear mais forte… A LEITURA.

Como disse ao Leonardo Almeida filho (um dos escritores de catalogo de benefícios: o significado de uma homenagem junto com minha tia Maria Izabel Brunacci e Hermenegildo Bastos) A leitura é um dos meus vícios mais saudáveis. Vicio ele que confesso estar defasado nos últimos anos, a vida boemia, a vida acadêmica, a rotina extremamente dinâmica acabaram por me fazer deixar um pouco de lado esse velho habito. Mas como uma boa e honesta viciada bastou ter em mão um livro e uma folheada honesta que me peguei em pleno ELEA na hora que poderia está descansando, já que dormir é bem raro lá por vários fatores, lendo Kafka, e não parava de folhear, lendo e lendo como se nada mais existisse e quando fui ver já havia perdido até a hora do jantar, ao invés de procurar algo para comer o que a viciada fez? Continuou lendo, aquela noite fui para festa com fome, mas cheia de alegria e palavrinhas rodopiando e me aguçando cada vez mais a criatividade.

Então no outro dia acabando as palestras que me interessavam peguei meu livrinho e fui à casa da minha tia, a mesma citada acima, aquele seria o dia do lançamento do livro dela, não poderia perder, sem contar a adrenalina de uma feira de livro que me deixava frenética em pensar no que eu poderia ler, adquirir e afins! Ainda ei de ter minha biblioteca pessoal…

Na feira descobrir que meu maior ídolo também estava lançando um livro, Zeca Baleiro estava lá, lançando o livro que titula esse post. Nada mais honestamente tiete que comprar o livro e esperar quase tendo um treco um autografo dele. E assim foi feito.

Saindo de lá com varias fotos e com meu livro autografado fui ao lançamento do livro da minha tia, que diga de passagem, falou lindamente, foi ai que nada mais justo que comprar o livro e pedir autógrafos E dedicatória! Hehehehe!

Ela escreveu sobre os convidados do jantar do Lido, onde (pelo que entendi da fala dela) foi um grande marco na vida literária, principalmente no que se refere a Graciliano Ramos. Onde havia presente pessoas da alta sociedade como militantes e companheiros com aquela veia revolucionaria e vontade de mudar o mundo que sinto falta na geração atual, careta e comodista, diga se passagem e que não vou me aprofundar no momento, pois não vem ao caso.

Agora o que vem ao caso e o acontecido logo depois, minhas priminhas bem novinhas foram para área infantil e claro quando vi lápis de cor e papel fui logo atrás, com a desculpa de esta olhando elas quando na realidade estava me divertindo. Foi quando chegaram à mesinha de desenho duas meninas, com seus dez anos e acreditem se quiser, estourando vontade de auto afirmação, com seu jeans escuro, all-star e claro, camisa exaltando algum rock modista da vez.

Foi quando vi em cima da mesa “o pequeno príncipe” e com uma animação frenética comecei a falar bem do livro o quanto ele foi importante para minha formação e aproveitei a atenção daquelas que poderia ser futuras viciadas para citar outros que foram também importantes para minha formação como “o menino do dedo verde”, “ei tem alguém ai”, “andorinha sinhá”, “o menino e a arvore”.

Foi quando as duas, depois de um pouco frustrante me chamaram de TIA, foram atrás do pequeno príncipe para comprar, e espero eu, ler também.

Foi quando surgiu o pensamento, cara a leitura não é como antigamente, o povo agora estão adorando autoajuda, e acredito que se autoajuda funcionasse o cara não precisaria escrever um livro para se ajudar (Zeca Baleiro cita isso no livro dele, depois acho e coloco aqui honestamente) se ver a juventude entrando na comunidade do Orkut “viciado por leitura” ai surgi, aeh? Sério o que você ler? – crepúsculo, Harry potter e afins.

Não condeno quem ler isso, ate porque eu leio e adoro gênero fantástico, minha veia de criança viciada em RPG e jogos épicos me permitiu isso. Mas me permite também saber que a poesia que mais gosto são as poesias marginais e como descobrir isso? Lendo todo quanto é tipo de poesias, me permite ter um escritor favorito, Rubens Fonseca, que escreve sobre romance policiais, principalmente Mandrake um anti-herói que sou louca, em falar de anti-herói Macunaíma, cara como o povo não conhece os anti heróis, vive para e apenas literatura com tenha plenamente definido o herói, a vitima, a mocinha, e o vilão. Sem entrelinhas, sem ambiguidade, sem nada que t5e faça fechar o livro um pouquinho e se perguntar, POR QUÊ?

Estou vendo isso mais como um desabafo, muitos acham que sou do tipo que só leio esses livros épicos e de gênero fantástico, mas gosto na verdade de ler, ler mesmo, não a leitura apenas para bater no peito e dizer SOU VICIADA EM LEITURA. Não quero ser dessa massa sendo formada agora com a eterna falta de interpretação de texto, sem raciocínio rápido e com o comodismo de tudo virar filme, afinal, para que ler um livro que você vai gastar dias se posso ver um filme de algumas duas ou três horas? ¬¬’

Desabafo acabado. Vou fazer o que realmente pretendia ao começar esse post, escrever sobre o Livro do Zeca Baleiro, possivelmente muitos não vão nem ler isso, confesso que o post ficou enorme, outros vão apenas pular a essa parte, não condeno, estou frenética hoje mesmo.

Eu estou na metade do livro do Zeca Baleiro, comecei a ler ontem antes da festa e novamente nem dormir por causa da leitura, como ele mesmo disse é um livro de leitura rápida, onde os capítulos não seguem uma hierarquia podendo ser lido na ordem que achar melhor, um tipo de livro gostoso de ler com discussões que sempre nos perguntamos e nem sempre temos opiniões idênticas, uma verdadeira conversa de boteco, o livro aborda temas que se pensando me deixa triste da geração que pertenço, ai…  Eu tinha que ter vivido nos anos 70 e 80… Mas fui nascer no final dos 80, confesso envergonhada pela a geração 90 e triste E decepcionada com as gerações seguintes que só me desagradam, vamos lá meninada do videogame! Por acaso existe pique esconde virtual? (pior que deva até existir ¬¬’)

Nas palavras do próprio escrito resumo o livro enfim: “São ‘texticulos’ breves, reflexões não muito profundas e nem sempre consequentes, e digressões livres, para serem lidos em aviões, sala de espera e toaletes do mundo”.

O tipo de livro que colocaria na bolsa e naquele momento tédio na fila da lanchonete, intervalos de aula, bancos e afins, você saca ele e ler um capitulozinho, são rápidos eu gasto menos de 5 minutos por capitulo, bem menos que isso dependendo do tipo de capitulo.

Bem fico por aqui, não posso voltar a ler nesta viagem, pois o motorista não liga a luz e ainda não adquirir visão noturna, infelizmente. Acho que finalmente vou dormir hehehe! Logo postarei minha viagem toda. Essa semana de arquitetura, urbanismo, urbanismo, urbanismo, grafite, livros e claro, festas!

Beijos e obrigada pela paciência de quem leu tudo. xD